DA SOLIDÃO AO ESTAR SÓ ...



As pessoas acham que solidão é sinónimo de tristeza.
É uma interpretação errada, porque tudo o que há de belo sempre acontece quando se está sozinho, nunca no meio de uma multidão.

Estamos condicionados a achar que ficar sozinho provoca mal-estar.
E que a felicidade reside em estar com outras pessoas. Isso nem sempre é verdade.

A felicidade que se origina em estar com outras pessoas é muito superficial, enquanto a felicidade que surge quando você está sozinho é muito profunda.
Portanto, aproveite-a.

A palavra "solitário" provoca tristeza em você.
Não pense nisso como solidão, e sim como "estar só".
Pense em "estar sozinho", mas não em isolamento.
As palavras incorrectas podem criar problemas.

Pense nisso como um estado meditativo, o que de fato é.
E aprecie aquilo que ele traz.

Cante, dance ou apenas sente-se em silêncio em frente à parece, esperando que algo aconteça.
Faça disso uma meditação e logo você descobrirá uma qualidade diferente, que não tem nada a ver com a tristeza.

Quando se mergulha completamente na profundidade da solidão, todos os relacionamentos parecem superficiais.
Mesmo o amor não pode ir tão fundo quanto o "estar só" porque o amor pressupõe a presença de outro e essa presença mantém você mais perto da periferia.

Quando não há ninguém e você de fato está sozinho, o perigo é começar a afundar e afogar-se em si mesmo.
Não tenha medo.
No começo esse afogamento se parecerá com a morte e uma melancolia irá cercá-lo porque você só conheceu a felicidade com outras pessoas, em outros relacionamentos.

Espere um pouco.
Deixe-se afundar até que o silêncio se imponha e traga, junto com ele, uma espécie de dança, um movimento em seu interior.
Nada se move e ainda assim tudo é muito rápido.
Os paradoxos se encontram e as contradições se dissolvem.

Sente-se em silêncio em frente à parede, relaxado mas alerta.
A qualquer momento algo pode surgir em você.
Não há para onde ir: em qualquer direcção que você olhar haverá uma parede.
Paredes são muito bonitas.
Não coloque nem mesmo um quadro, deixe a parede lisa.

Quando não há nada para ser visto, aos poucos o seu interesse em ver desaparece.
Paralelamente, outra parede se levanta — a parede do não-pensamento.

Permaneça aberto e sorria, murmure uma canção ou então balance o corpo suavemente.
Pode dançar, se quiser, mas saia da frente da parede.
Deixe que ela seja seu objecto de meditação.

É preciso chegar a um acordo com a própria solidão.
Enfrente-a e você perceberá que ela muda sua cor, muda sua qualidade — até seu sabor fica totalmente diferente: a solidão se transforma em "estar sozinho".

O isolamento vem acompanhado de sofrimento,
mas a solidão é uma extensão da felicidade.



Osho, em "Uma Farmácia Para a Alma"


Namasté...

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