REAPRENDENDO A ORAR ...




Clara foi criada numa família cristã e frequentara a igreja durante toda a sua infância e adolescência.

No entanto, desde o início de sua vida adulta, deixara de acompanhar seus familiares, pois sentia que a religião já não a tocava.

Nunca deixou de crer em Deus, mas, por muito tempo esteve longe de qualquer religião.
Perdera o hábito de orar.

Abraçou uma profissão por vocação, e dedicava-se integralmente a ela, com trabalho diário e com estudo constante.

Amava sinceramente as suas sobrinhas, a quem tratava como filhas.
A mais nova era sua afilhada e costumava passar fins de semana com a tia a quem muito admirava.

Nessas ocasiões, antes de dormir, Clara incentivava-a a fazer uma prece, pois sabia que na sua casa, era este o hábito.
Costumava ouvir atentamente a prece, mas permanecia em silêncio.

Certo dia, a sobrinha telefonou-lhe, como de costume, mas, desta vez, não para conversar sobre as actividades do dia.
A criança tinha a voz séria e disse-lhe:
Tia, preciso de lhe fazer uma pergunta.

Clara ouviu atentamente e, para sua surpresa, a voz de menina do outro lado perguntou:
Tia, por que é que você não reza?
Acha que é errado?

Por alguns segundos Clara ficou em silêncio, reflectindo sobre o que dizer àquela menina que ela tanto amava.
Parecia ver o rosto da sobrinha com a expressão viva e interessada, que lhe era característica.

Não queria faltar à verdade, mas, o facto é que a menina a pegara de surpresa, pois ela mesma nunca fizera essa pergunta a si própria.

Então, respondeu:
Não, minha querida, eu não acho errado.

Mas, então, insistiu a criança:
Mas entao por que é que você não reza?

Clara falou como se fosse para si mesma:
Talvez eu não faça orações decoradas, mas isto não significa que eu não converse com Deus.

E como é que você conversa com Ele?
Continuou a menina.

Bem, respondeu a tia, eu acredito Nele, e sei que está comigo em tudo o que faco.

Sempre que vou trabalhar com vontade e dedicação estou em sintonia com Ele.
Todas as vezes que ajudo alguém, que respeito o próximo, que prezo o amor, estou em sintonia com Ele.
Talvez este seja o meu modo de orar.

Pode ser, disse a criança, mas acho que se você fechar os olhos e se concentrar Ele ouvirá melhor, pois não é bom falar com alguém sem prestar atenção.

Sim, está certa, disse a tia, comovida com a sinceridade e com o interesse da criança.

Aquela conversa marcou Clara.
Em muitos momentos ela repetiu aquela pergunta a si mesma.
A partir daquele dia passou a acompanhar a oração da menina, e não apenas ouvir.

Lentamente, reaprendeu a fazê-las, agora de modo espontâneo.

Aprendeu que orar é estar em sintonia com Deus
É louvá-Lo,
É agradecer,
É também pedir.
E que, sem dúvida, é um momento especial no qual sempre somos beneficiados pelas boas vibrações que recebemos.

Não importa a religião a que se pertença
A oração é sempre uma oportunidade à nossa disposição.


Autor desconhecido

Namasté...

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